Sustentabilidade

Por que se preocupar com o descarte de materiais tóxicos?

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Por ano, o Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos. Sem o descarte adequado, eles contaminam o meio ambiente e afetam a qualidade de vida das pessoas. No caso das indústrias, é essencial que haja atenção redobrada com o descarte de materiais tóxicos.

Afinal, eles têm um grande impacto nos ecossistemas e na saúde humana. Porém, a adoção de boas práticas ajuda a evitar alguns dos seus impactos e ainda permite que as empresas se tornem mais sustentáveis e socialmente responsáveis.

A seguir, você entenderá mais sobre o descarte de materiais tóxicos e por que é necessário se preocupar com o tema!

Materiais tóxicos no cotidiano e no setor industrial 

Mesmo sem notar, os materiais tóxicos estão presentes no cotidiano das pessoas, em maior ou menor grau. Produtos de limpeza, cosméticos e embalagens são apenas alguns itens que fazem parte do dia a dia e que têm elementos potencialmente contaminantes.

No entanto, a presença de materiais tóxicos se torna ainda maior no setor industrial. Eles servem para matérias-primas, garantem a execução de processos ou são gerados como subprodutos.

No caso da indústria moveleira, por exemplo, alguns dos principais materiais tóxicos estão em materiais como tintas, vernizes e adesivos. Entre eles, estão:

  • Solventes orgânicos voláteis (VOCs);
  • Formaldeído;
  • Pesticidas para tratamento de madeira;
  • Conservantes à base de cobre ou cromo;
  • Pigmentos metálicos;
  • Aditivos químicos.

Na indústria de vidreira também há muitos materiais tóxicos que compõem produtos de corte, polimento e fixação. Entre os exemplos, estão:

  • Fragmentos de vidro
  • Óxido de cério;
  • Fluoretos diversos;
  • Óxidos resultantes da queima de resíduos de vidro.

Legislação atual e responsabilidade socioambiental 

Uma das medidas para evitar o descarte de materiais tóxicos envolve a criação de legislações e regulamentações ambientais. No Brasil, há diversas regras para as indústrias nesse sentido.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi criada pela Lei nº 12.305/2010 e define as responsabilidades sobre a gestão e gerenciamento de resíduos, por exemplo. Ela também trata da logística reversa, que ajuda a evitar o descarte inadequado.

Já a Resolução CONAMA nº 313/2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, define a obrigatoriedade de um inventário de resíduos sólidos industriais. Ele deve ser elaborado anualmente e ajuda a rastrear o descarte.

Do ponto de vista dos trabalhadores, há a Norma Regulamentadora (NR) 25. Ela estabelece diretrizes relevantes para prevenir a exposição desprotegida a resíduos industriais e define como eles devem ser manejados.

Seguir as regras sobre o assunto não é positivo apenas para evitar multas e outras sanções. Além da questão legal, a indústria apresenta conformidade ética do ponto de vista da sustentabilidade, posicionando-se de modo mais responsável.

Danos ambientais causados por materiais tóxicos 

Quando ocorre o descarte impróprio de materiais tóxicos, o meio ambiente é afetado de diferentes maneiras. Pode ocorrer uma série de efeitos sobre a fauna e flora, além de processos naturais serem interrompidos ou modificados drasticamente.

A seguir, entenda melhor quais são os principais danos causados por esse descarte!

Contaminação do solo

Dependendo de como ocorrer, o descarte de materiais tóxicos pode contaminar o solo até camadas mais profundas. Isso porque diversos componentes podem infiltrar na estrutura do solo, chegando a áreas mais profundas.

A principal consequência ocorre quando os materiais tóxicos atingem os lençois freáticos. Com isso, fontes de água potável e de irrigação podem ser contaminadas.

Outro problema está relacionado à drenagem do solo. Fragmentos de vidro, por exemplo, podem afetar a drenagem do solo. Já os contaminantes podem desencadear reações químicas ou biológicas, afetando a fertilidade do solo.

Toda a cadeia alimentar também é afetada quando as plantas absorvem materiais tóxicos por meio de suas raízes. Isso faz com que os animais que se alimentam delas sejam afetados pelos contaminantes e, em menor escala, os seres humanos também terão a saúde prejudicada por esse contato.

Portanto, esse descarte incorreto torna o solo menos fértil, contamina a água subterrânea e impacta todo o ecossistema no processo. Esses efeitos também podem durar anos ou mesmo décadas, dependendo das reações ocorridas e da liberação de toxinas.

Contaminação da água

A contaminação da água por materiais tóxicos pode ocorrer de diversas maneiras. Além dos impactos nos lençóis freáticos, os contaminantes podem ser levados a fontes d’água por meio da chuva, do vento ou outros agentes, dissolvendo-se em rios, lagos e riachos.

A vida aquática é bastante afetada, já que muitos componentes afetam diretamente animais e plantas que vivem nesses corpos d’água. Isso pode levar à morte de peixes e outros organismos aquáticos.

Nos casos em que não ocorrer a morte, os seres podem ficar contaminados e afetar toda a cadeia alimentar. Dependendo do caso, isso também pode levar a um aumento anormal da produção de algas, diminuindo o oxigênio disponível na água e afetando o equilíbrio do ecossistema.

Ainda, ocorrem efeitos sobre o abastecimento de água potável. Além de a água ficar imprópria para consumo e uso humano, o processo de tratamento fica mais caro e demorado.

Poluição do ar 

Em relação ao ar, há diversos materiais tóxicos que se acumulam em suspensão, especialmente quando ocorre a queima de resóduos. Um dos resultados é a diminuição da qualidade do ar, já que há menos oxigênio disponível devido ao acúmulo de toxinas.

Isso aumenta a inalação de compostos tóxicos, o que pode afetar a saúde humana tanto dos trabalhadores das indústrias poluentes quanto da comunidade no entorno.

Esses componentes também podem aumentar a acidificação de ecossistemas e até levar à ocorrência de chuva ácida. Ainda, a produção agrícola pode ser afetada já que a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas são afetados pela qualidade do ar.

Ainda, as toxinas que se acumulam no ar podem ser transportadas para áreas distantes do local de contaminação e ainda podem afetar o solo e a água. Logo, os há um potencial de ampliação e agravamento dos danos.

Impactos na saúde humana

Como comentado anteriormente, os efeitos do descarte incorreto de materiais tóxicos não são sentidos apenas pelo meio ambiente. A saúde humana é diretamente afetada pelo contato com diversas toxinas — inclusive aquelas decorrentes de processos de movelaria e vidraçaria.

O aumento e agravamento de problemas respiratórios é um dos principais efeitos. Tanto colaboradores das indústrias, quanto moradores do entorno e clientes, podem ser impactados e enfrentar sintomas como tosse, falta de ar e irritação das vias aéreas.

O problema se torna mais grave com a exposição prolongada. Isso pode levar ao desenvolvimento de quadros como asma, bronquite ou, em cenários mais graves, câncer de pulmão ou enfisema pulmonar.

Quando há o contato com produtos químicos, pode haver o desencadeamento de problemas dermatológicos, como dermatites, reações alérgicas e outras condições semelhantes.

Dependendo dos materiais tóxicos descartados incorretamente, há o impacto direto na fertilidade da pessoa e até no desenvolvimento fetal. Aumentando a incidência de partos prematuros ou de mortes fetais.

No geral, essa contaminação pode ocorrer tanto pelo contato direto com as toxinas — especialmente no caso dos trabalhadores — quanto pelo meio ambiente. O consumo de água contaminada ou de alimentos com alto nível de toxinas, por exemplo, também pode levar a esses problemas.

ESG na gestão de resíduos sólidos

O ESG — sigla para “Enviromental, Social e Governance” ou “Ambiental, Social e Governança” — é uma abordagem holística de sustentabilidade empresarial. Esses três pilares servem para orientar as empresas na adoção de práticas que beneficiem o meio ambiente, a comunidade e a governança.

Ao pensar nos resíduos tóxicos, há estratégias que podem ser adotadas nessas três frentes. Do ponto de vista ambiental, por exemplo, vale pensar na redução da geração de resíduos, já que isso diminui a contaminação ambiental.

Também vale a pena pensar na adoção da economia circular. O reaproveitamento, em detrimento do descarte, permite utilizar o que se tornaria lixo como matéria-prima de outros processos.

No aspecto social, a responsabilidade pela proteção das pessoas é essencial. Isso inclui desde oferecer medidas de segurança para os colaboradores da indústria até o cuidado com a comunidade do entorno.

Desenvolver ações de educação e conscientização também é essencial para todos aprenderem sobre a gestão responsável de resíduos. Ainda, iniciativas que beneficiem a comunidade podem servir para mitigar eventuais impactos.

Quanto ao pilar de governança, é essencial investir em transparência e prestação de contas. Uma gestão de resíduos transparente, com informes regulares, permite acompanhar o desempenho ambiental com mais precisão.

Ainda, é fundamental contar com a participação dos stakeholders na definição de políticas e estratégias relacionadas à redução de resíduos tóxicos. 

Como essas são as partes interessadas, a ideia é incluir não apenas os gestores, mas também os fornecedores, trabalhadores, os clientes e a comunidade de modo geral.

Práticas sustentáveis de descarte e reaproveitamento

Além das medidas anteriores voltadas para ESG, há outras práticas que devem ser consideradas. Elas servem tanto para garantir o descarte adequado quanto para realizar o reaproveitamento de materiais que, de outro modo, poderiam contaminar o meio ambiente.

Veja algumas medidas para adotar!

Identificação e separação de resíduos

É recomendado identificar e segregar os diferentes resíduos tóxicos gerados nos processos industriais. Ao separar solventes, colas, tintas e resíduos de vidro, por exemplo, é possível garantir o descarte adequado de cada um.

Armazenamento os resíduos corretamente

Depois de separá-los de modo adequado, é preciso armazenar os materiais tóxicos adequadamente. O ideal é evitar o contato com o ar que possa espalhar os resíduos, solo e fontes de água. Eles também devem ficar longe de áreas de produção e até de fontes de calor, caso sejam inflamáveis.

Definição do descarte

Outra prática relevante consiste em definir como deve ser feito o descarte, pensando nas regulamentações e na questão sustentável. Em muitos casos, é necessário buscar empresas especializadas no tratamento desse tipo de resíduo.

Transporte para descarte adequado

Como parte do descarte correto de materiais tóxicos, é necessário fazer um transporte correto. Normalmente, isso envolve veículos com condições especiais e até licenças específicas para a movimentação — como no caso de materiais inflamáveis.

Faça a reutilização interna

Uma das formas mais eficientes de lidar com os resíduos é reaproveitando os materiais internamente. As retalhos de chapas de MDF após o corte podem ser aproveitados em outros projetos, por exemplo. Para tanto, é essencial identificá-los e catalogá-los, incorporando esses itens a novos projetos.

Conheça as funcionalidades do sistema Corte Certo, ideal para melhorar o aproveitamento de retalhos de chapas!

Parcerias com outras empresas

Para os resíduos que não puderem ser aproveitados internamente vale a pena buscar a parceria com outros negócios. O pó de serra resultante da indústria moveleira, por exemplo, pode ser usado nos processos de muitas outras empresas. Assim, é possível diminuir o impacto ambiental do descarte.

Incorpore a tecnologia aos processos

Uma das melhores práticas para gerenciar o descarte e reaproveitar materiais é implementar a tecnologia de modo estratégico. Para aproveitar o poder da inovação no manejo correto de resíduos, é possível recorrer a um software de otimização de cálculo de corte, por exemplo.

A ideia é combinar as estratégias para criar as condições para diminuir a necessidade de descarte e, quando ele for necessário, garantir que seja de maneira adequada.

Corte Certo: aliado na redução de materiais tóxicos

Pensando na sustentabilidade e no papel da tecnologia, o Corte Certo é um grande aliado.

Com ele, é possível calcular o plano de corte de modo a maximizar o aproveitamento de materiais como chapas de MDF, vidro e outros. Isso diminui o desperdício de matérias-primas e consequentemente reduz o descarte.

Além disso, o material que sobra de um corte pode ser facilmente reaproveitado em outros projetos, graças ao sistema da Corte Certo, que avisa quando há retalhos que possam ser utilizados e o gerenciamento desses materiais pelo sistema. Assim, há um melhor aproveitamento dos materiais, tornando a produção mais sustentável.

O Corte Certo também é um aliado de empresas que buscam reduzir o impacto ambiental porque menos consumo de matéria-prima e menos descartes significam menos emissões de poluentes e menor exploração do meio ambiente.

Ainda, o software permite registrar e acompanhar dados relevantes dos cortes e do uso de materiais. Com isso, é possível aumentar a transparência e fortalecer a governança, aumentando o alinhamento do software com as práticas ESG.

A contaminação corrói sua empresa!

O descarte de materiais tóxicos pode prejudicar o meio ambiente, a sociedade e o futuro da empresa se não for feito corretamente. Para ser mais sustentável, a indústria precisa adotar boas práticas de sustentabilidade, incluindo o uso da tecnologia.
Para entender como o Corte Certo pode ajudar sua indústria nesse sentido, visite nosso site e saiba mais!

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